Fidelidade, sem lealdade

 

Postado em 29 de janeiro 2018 (atualizado em 27 de fevereiro de 2019)


 

 

 

 A relação de um casal não pode ser baseada em cobranças, desconfianças e apegos. Isso, certamente, trará infelicidade. Uma relação de amor é leve e pressupõe liberdade total. O compromisso é com o EU de cada um. A grande felicidade está no amor; a fidelidade é um compromisso que assumidos com nós mesmos e com mais ninguém.

Quando falamos em dar liberdade total, em desapegar da outra pessoa, o que vem na cabeça da maioria é uma grande farra, promiscuidade, traição. Afirmo que esse tipo de pensamento está totalmente errado.

Todo mundo sabe que não adianta cobrar fidelidade da outra pessoa. É fato que, se ela quiser; se o amor não estiver presente, o que tiver que acontecer, simplesmente, acontecerá, mais cedo ou mais tarde. Isso é prova de que a fidelidade é um compromisso que assumimos conosco, com nosso coração e com mais ninguém.

A fidelidade cobrada e obrigacional vai de encontro ao nosso coração. Esse tipo de fidelidade nos corrói e engana a outra pessoa. O ato de traição, em si, é mera consequência da fidelidade obrigacional, de um apego. Todavia, quando não há o ato, devemos tratar o comportamento do casal como lealdade, algo combinado ou imposto, que não encontra origem no amor, mas sim, no apego, no ego e na escravidão. A verdade é que ninguém gosta de ser cobrado e pressionado por coisas que vão de encontro aos seus sentimentos.

O relacionamento verdadeiro acontece quando ambos deixam de ser cobradores e apegados. Quando ambos são fiéis aos seus EUs, aos seus sentimentos, tornando-se totalmente livres, como Deuses que se unem pelo amor.

As pessoas têm medo de retirar as cobranças, as obrigações e o apego das relações, pois, sem esses elementos, restaria apenas o amor e, uma vez constatada a falta do amor, o relacionamento terminaria, tal como muito que vemos por aí. Pessoas vivem relacionamentos sucessivos, tal como se estivessem trocando de emprego, sempre renovando suas obrigações e apegos. É o tal "a fila andou"! Simplesmente, as pessoas vão se ferindo. É muito fácil perceber isso nas redes sociais.

O apego, esse sentimento de posse, de ciúmes; as cobranças e os acordos de lealdade nas relações, que estão colocando o amor em segundo plano, tem feito as pessoas sofrerem muito e terem crises e mais crises emocionais, desgastando-as sobremaneira.

Quando optamos viver relações baseadas em amor e liberdade, estamos fazendo a escolha pela fidelidade, sem lealdade. Estamos sendo fiéis ao nosso amor, a nós mesmos.

Não devemos entrar em relações que estejam desalinhadas com nossos sentimentos. Devemos ter consciência do nosso EU. Devemos honrar nosso interior e sermos verdadeiros conosco em todas situações. Ser livre, numa relação de amor, não é esquecer a outra pessoa e viver em leviandade. É viver o amor.

Devemos buscar nosso preenchimento interno por nós mesmos. Quando precisamos preencher nossos vazios com outra pessoa, estamos fadados a cair numa relação de obrigações e apegos, verdadeiros acordos de lealdade. Entramos nessas relações com mais medo de sermos traídos, do que vontade se sermos felizes.

Você pode ler este texto e achar que ele apenas traz baboseiras e continuar desconfiando, pressionando, perdendo noites de sono e/ou seu sagrado tempo de vida atrás da outra pessoa, para ter certeza onde ela está, controlando seus passos, mandando mensagens, ficando em estado de irritação quando uma foto dela é curtida ou comentada nas redes sociais. Você pode viver nesse stress para garantir que seu acordo se lealdade esteja sendo cumprido. A vida é sua, é seu livre-arbítrio. Mas, você também pode, ao menos, refletir sobre este conteúdo.

A escolha é sua. Assim como as consequências! Veja o que é certo para o seu coração.

 

 

 

 Por Marcelo (Prem Prabhu)