Não acredito em relações perfeitas

 

Postado em 06 de maio de 2018

 


O segredo não está em avaliar o resultado, porque ele sempre será conhecido. O segredo está em avaliar o processo, as escolhas feitas e os cenários, para saber como aquele resultado foi atingido. Estar de olho no processo é fundamental, para que o resultado seja positivamente modificado ou, se isso não for possível, para que erros futuros sejam evitados, ao máximo.

Se for possível trazer isso para as relações, diria que todos os dias são resultados e que todos os dias também são processos. Afinal, as relações são reflexos das nossas essências, que se revelam por ações e omissões e evoluem ou involuem diariamente.

 



As relações se renovam diariamente. O que você está fazendo agora, em poucos instantes, pode gerar um resultado. Uma relação, independentemente do nível, se eleva ou se desgasta (dependendo da atitude pode até se desmanchar) em questão de segundos, bastando que seja feita uma escolha errada (refletida em palavras, atitudes e até omissões) que agrida o âmago da outra pessoa.

Ninguém é detentor do segredo da relação perfeita. Isso é balela. A relação perfeita não existe e muito menos está nas prateleiras para ser vendida. Para mim, existe relação feliz, que tem sim suas nuances, discordâncias e concordâncias, contentamentos e descontentamentos, sendo que tudo é tratado de forma respeitosa, harmoniosa e amorosa, sem conflitos, sabendo sentir, ouvir e enxergar a outra pessoa, para chegar a consensos, em equilíbrio, sabendo sim ceder, se doar e se render. Não existem frustrações. Logo não existem mágoas. Tudo sempre fica resolvido. Esta seria a dica de processo para um resultado apenas feliz, ou seja, um processo pela busca da paz, da harmonia e do consenso, capaz de liberar o amor para que ele flua entre as pessoas.

Num conceito de relação perfeita, não existe amor, porque um quer sempre ser perfeito para agradar o outro e, dessa maneira, em algum momento, deixará seu amor-próprio de lado. E como o amor pode fluir sem amor-próprio? É impossível. Por isso, acredito em relações felizes, com todas as suas imperfeições que são inerentes aos seres humanos.

A relação feliz começa dentro de nós, a partir de uma felicidade interna, ao contrário da relação perfeita que começa na outra pessoa. Precisamos nos amar para compartilhar amor. Precisamos ser livres para fluirmos a liberdade. Precisamos ser autoconfiantes para confiar. Precisamos nos conhecer para que fluir como realmente somos à outra pessoa. Precisamos entender que somos processuais para aceitar que as relações são constantes e grandes processos. Tudo começa a fluir a partir de cada um de nós.

 

Por Prem Prabhu