Não consigo chegar ao orgasmo durante a penetração. A culpa é minha? Eu tenho algum problema (parte 2)

 


Postado em 16 de fevereiro de 2019

 

 

Insistentemente, afirmo que o diálogo é fundamental para o prazer sexual. Isso porque o dialogar é libertador e o sexo, para fluir de forma prazerosa, precisa de liberdade total.

Conforme mencionado no texto anterior, segundo estudos, cerca de 70% das mulheres que chegam ao orgasmo, precisam de estímulos no clitóris para tal. Já em relação às cerca de 30% que chegam ao orgasmo por meio da penetração, existe um universo de possibilidades de estímulos com o pênis, que podem oferecer o resultado orgasmo, mas que não estão necessariamente ligados à penetração em si, mas sim a fatores ligados aos psicológicos de cada mulher e/ou aos aspectos físicos ligados aos estímulos.

 

 


O diálogo, para que o prazer na penetração aconteça se faz necessário, porque as mulheres precisam estar livres para buscar suas posições mais prazerosas. Ou seja, a mulher precisa achar a posição ideal para que o pênis atinja o ponto exato de prazer na parte interna da sua Yoni, e também na externa.

No sexo que hoje está convencionado, que é feito é não vivido; o sexo obrigacional, cheio de Egos envolvidos, o homem é que toma as ações. Criou-se até o termo "ativo" para definir a participação masculina no ato, obviamente também pelo fato de o homem realizar a penetração. Também se convencionou que o ato de fazer sexo está dividido em duas partes: as preliminares e a penetração, que é tratada como sexo em si.

Também de forma insistente, afirmo que o sexo não deve ser feito. O sexo precisa apenas fluir e ser vivido. Sexo é consequência de energia sexual pura que precisa circular livremente em cada um e ser compartilhada com leveza. Não podem haver barreiras que impeçam a livre fluência desta poderosa energia que nos eleva. Não devemos agir ao ponto de interferir na fluência das energias sexuais, que são nossas energias motrizes.

Assim como a mulher precisa deixar o homem livre, o homem precisa dar total liberdade à mulher. Não há ativo ou passivo. Não há um roteiro a ser seguido. Não há obrigação alguma. Não pode ter Ego envolvido. Não pode haver vontade de ser o bom ou a boa no sexo. No sexo que flui; no sexo que se vive, quando se busca ser extraordinário o que se observa, no máximo, é o prazer convencional, portanto limitado. No sexo que flui; no sexo que se vive, quando se busca ser simples, surge um prazer extraordinário e ambos se tornam extraordinários.

No sexo que flui; no sexo que se vive, os corpos são estimulados constantemente e abundantemente para que a energia sexual seja estimulada. Não existe preliminar, pois é um grande carinho. Ambos se movem pela energia sexual e não pelas convenções do sexo feito; do sexo mecânico.

E será justamente a liberdade de movimentos, sem regras, que permitirá a mulher, durante a penetração, conhecer os seus pontos de prazer onde sua Yoni e seu corpo precisam ser estimulados.

A Yoni oferece diversos pontos externos e internos de prazer. São muitas possibilidades de a serem conhecidas e exploradas. O clitóris, por exemplo, se prolonga para dentro do órgão sexual por cerca de 10 cm ou um pouco mais, variando de mulher para mulher. Tem também o famoso Ponto G, localizado na parede anterior da vagina, no trajeto da uretra. A região possui um tecido erétil que, quando estimulado, proporciona muito prazer, fazendo com que as mulheres alcancem o orgasmo.

O corpo da mulher é um imenso órgão sexual, com muitas regiões erógenas que precisam ser estimuladas e despertadas. É fato que não existe uma parte do corpo de uma mulher que não reaja sexualmente. Os homens têm apenas que estimular proporcionando descobertas e desenvolvimento das várias zonas erógenas.

E necessário entender que, antes da penetração, se o corpo da mulher e sua Yoni receberem estímulos abundantes, com amor e carinho, sem ansiedades, sem roteiros, sem regras, com sutileza, as possibilidades de prazer com a penetração aumentam muito. No sexo vivido, em que se busca fluir a energia sexual, não existem etapas ou partes. Existe totalidade. E os estímulos ao corpo e a Yoni não precisam ser antes. Durante é tão importante quanto. Depois também, porque, neste contexto de totalidade, tudo é um grande durante.

A questão é que o homem precisa se soltar totalmente e deixar a mulher livre para que ela encontre sua posição de estímulo ideal durante a penetração, de forma que ele entenda como se posicionar para estimula-la do jeito que ela gosta e, a partir daí, poder se desenvolver com ela cada vez mais. Homens e mulheres precisam entender que prazer não se dá. Prazer se compartilha por meio de amor, suavidade, tranquilidade, estímulos ao corpo e livre fluência das energias sexuais de ambos.

Os homens precisam compreender que, se durante a penetração a mulher desejar autoestimular o clitóris, não tem problema algum, pois o importante é o prazer; o orgasmo. Não há demérito algum para o homem permitir que a mulher estimule seu clitóris. Aliás, indico até que o homem também estimule o clitóris, obviamente, com delicadeza e feeling.

Os homens têm que parar de palhaçada e não colocar sentimentos de culpa e/ou maltratar as mulheres quando elas não atingem o orgasmo por meio da penetração. Já as mulheres devem se afastar de homens que tenham este comportamento ridículo, pois não há nada de errado com elas.

Sugiro aos homens e mulheres que se aprofundem neste tema através de pesquisas. Sugiro, principalmente, que dialoguem muito, pois, sem diálogo, tudo se complica na relação.

O tema deste texto é tratado em livros, para que se tenha ideia da dimensão. Meu desejo é estimular que as pessoas busquem suas respostas por meio de pesquisas. Sexo também é conhecimento.

 

 

 

Por Prem Prabhu