Não negar nada, não significa aceitar tudo


 

Postado em 27 de setembro de 2019

 


 

Se você buscar se informar, se aprofundar e se fechar apenas sobre aquilo que acredita, negando veementemente aquilo que não acredita, sem ao menos entender o porquê e o que de fato se passa na sua discordância, lamento, mas você viverá conflitos internos enormes e se afastará do seu EU, de pessoas, de oportunidades e de um monte de coisas que poderiam lhe fazer muito bem.

Em tudo existe um desequilíbrio natural, principalmente, naquilo que é humano/existencial. O desequilíbrio é necessário e não é ruim, muito pelo contrário. O erro também é uma virtude do ser humano, assim como é o acerto. As concordâncias e discordâncias, idem.

A questão é que o equilíbrio e o desequilíbrio, os erros e acertos e as concordâncias e discordâncias se equivalem qualitativamente, quando nos tornamos seres calmos, reflexivos, abertos, sem negar nada, abertos ao diálogo, controlando nossos Egos. Isso, obviamente, dentro de uma verdade que contemple interesses que sejam existenciais voltados à liberdade e à verdadeira diversidade. Não negar nada, não significa aceitar tudo. Trata-se apenas de olhar além e buscar compreender o mundo e nossos semelhantes.

Logo, enxergar a vida com radicalismo, faz de você a sua primeiríssima vítima. A segunda, é quem está a seu redor, mas esta pode se livrar de você rapidamente, afastando-se, simplesmente. Só que você não pode se afastar de si. Em outras palavras, você vai ter que se aturar e bancar as consequências deste seu radicalismo que, com certeza, em algum momento ou em algum campo da vida que seja, está te deixando pesada(o) e triste.

Quando nos tornamos pessoas radicais, incapazes de ver qualidades naquilo que não concordamos, nos sentimos sozinhos. Podemos ter junto de nós milhares, até milhões de pessoas que pensam igual ou de forma semelhante a nós. Só que continuaremos a nos sentirmos sozinhos, porque essas pessoas, igualmente radicais, servem de acalento ao Ego e não a nós. A solidão é uma energia ruim que flui em nós, quando fechamo-nos radicalmente naquilo que acreditamos. Logo, o amor não flui, principalmente o próprio, porque há conflitos internos que o represam.

Fico triste vendo pessoas sendo consumidas pelos seus radicalismos; pelo fato de estarem fechadas a compreender aquilo que não concordam; que se revoltam, só porque suas verdades não são as verdades de seus semelhantes. Porque, é isso que, no final das contas, gera preconceitos, tabus e paradigmas e tolhe a verdadeira liberdade e verdadeira diversidade.

O que vejo hoje é um excesso de radicalismo; um excesso de pessoas cheias de opiniões, propagando desrespeitos sem ao menos tentar compreender o oposto, o desequilíbrio, o certo e o errado, segundo seus pontos de vistas. São pessoas que pregam liberdade de expressão e de pensamentos e diversidades, até o momento em que as outras estejam de pleno acordo com elas.

Não concordar com tudo é natural. Aliás, é muito bom, desde que sejamos capazes de compreender o que leva nossos semelhantes a pensarem diferente de nós e a enxergar o que é deles com naturalidade. Você pode não aceitar aquilo para si, mas não precisa negar para si e para os outros. A negação é o radicalismo. Do ponto de vista existencial, deixe que cada um flua sua forma de pensar, pois, quando mais alimentamos os conflitos, mais conflitos teremos, principalmente, dentro de nós, nos corroendo. Não estou propondo que as pessoas sejam passivas. Estou propondo que, racionalmente, permitam que as coisas fluam.


Por isso, insisto: busque a calmaria, torne-se reflexivo e transmita esta prática adiante, porque isso também é energia que você pode propagar. Tudo é energia! Nada é construído no conflito!

Portanto, não negue nada. Pare de taxar e julgar as pessoas. Viva sua vida e deixem que as pessoas vivam as delas. O conflito que você cria é seu. Quando você briga com alguém, não é uma briga ente 2 pessoas, são 2 brigas, cada uma com seu interior. Sem dúvidas, nas duas, ficarão feridas.

 

 

Por Marcelo (Prem Prabhu)