Poderia ter sido ruim, mas foi maravilhoso: uma história para casais

 

Postado em 26 de setembro de 2019

 

 

Muitas vezes, conflitos entre casais e os consequentes desgastes de relações podem ser evitados com simples atitudes. Quando a energia do amor está fluindo, a paz impera. Mas, fluir amor, é algo que depende de cada pessoa. O certo é que, quando há esta fluência, tudo passa a ser tratado de forma tranquila e muito serena. Não há vontade de incitar a outra pessoa para altitudes conflituosas.

Quando o amor está fluindo, essa coisa de dizer que é pavio curto, explosiva(o), que tem que falar tudo na cara, é algo que, automaticamente, acaba sendo deixado de lado. Então, vou contar uma história muito legal, que me deixou muito feliz:

Certo dia, em um domingo desses, um homem me chamou ao Messenger. Ele queria conselhos meus em relação a como se comportar diante da mulher dele, que tinha se excedido muito na bebida no dia anterior sábado, falado poucas e boas para algumas pessoas, inclusive para ele. Ele estava muito irritado e disse que estava esperando-a acordar para falar outras poucas e boas para ela.

Ele estava muito irritado, tomado pela raiva. Uma situação complicada, em que a razão estava longe e o emocional dominando a situação, com o Ego comandando a mente daquele homem. Particularmente, não gosto de dar conselhos. Prefiro ficar no campo das sugestões e do estímulo às reflexões, para que cada pessoa encontre suas respostas.

De cara, afirmei que, se ele não se acalmasse, dificilmente, o resultado do que ele pretendia seria positivo para o casal. Conversamos e ele se acalmou, criando o ambiente para uma conversa racional.

A primeira pergunta que fiz foi: sua esposa sempre faz isso? Ele disse que não e que jamais tinha se comportado assim. Depois, perguntei: como ela é no dia a dia? Ele disse que é uma pessoa doce, amiga e maravilhosa.

Em seguida, mais uma pergunta: Ela está passando por algum problema? Ele respondeu que sim, que pessoas muito próximas a ela estavam doentes, perdas de familiares e, na parte financeira, sucessivos atrasos de salários. Ou seja, passando por muitas pressões, mas que ele estava dando todo apoio, porque a ama muito e, justamente por isso, não admitia o que aconteceu.

Quando ele me deu a oportunidade de falar, eu afirmei que, de todas as palavras que ele me disse, eu ficaria com duas especiais: amor e apoio e que este último não deve ser dado esperando nada. Que o apoio nada mais é do que o amor fluindo entre eles.

Disse que sabia que ele estava irritado, magoado, mas precisava escolher entre a harmonia e a discórdia, e que, se ele optasse por dar continuidade ao ocorrido, tomado pela ira, muito disso pelo Ego ferido, ele apenas pioraria as coisas.

Afirmei que, pela pessoa doce que ele disse ser a mulher dele, ela não acordaria bem e que iria se lembrar do que fez, pelo menos algumas coisas. Ele parecia ter voltado ao estado de irritação, pois queria, de alguma forma, devolver o que passou. Ou seja, dar lições de moral para ela.

Então, contrariado com o que eu estava dizendo, ele me perguntou o que eu queria que ele fizesse. Eu disse que eu não queria que ele fizesse nada, pois quem deve refletir para saber o que fazer seria ele e não eu. Eu estava ali apenas para ajudar com palavras e com as experiências que vivi no Tantra.

Então, depois que ele deixou eu falar, disse para ele que, quando sua mulher acordasse, abraçá-la com muita força, transmitindo a energia do seu amor para ela, para permitir fluir esta energia entre eles, afirmando que está ao lado dela.

Disse que, se ele devolvesse tudo para ela, de nada adiantaria, pois só a magoaria mais e a deixaria mais para baixo ainda. Falei que uma atitude que levasse ao conflito, naquele momento, marcaria negativamente, de alguma forma, a ralação deles. Falei na certeza, vez que aquele fato tinha sido super isolado, como ele mesmo havia dito, e que no dia a dia a mulher dele não é assim.

Fiz ele entender que a mulher dele acordaria mal com isso tudo. Que se sentiria só e muito triste. E que ele deveria estar ao lado dela. Que ela sozinha enxergaria as responsabilidades dela não necessitando de um "promotor" de acusação e de um "juiz" para julgá-la. Afirmei que as atitudes delas foram extravasamentos, devido ao estado de consciência alterado pelo álcool.

Muitos argumentos foram usados por ele para rebater o que eu falava, mas eu fui insistente, falando que seu Ego não poderia ser maior que o amor que sente. No final, mais calmo, ele concordou. Disse que eu poderia estar certo. Eu disse, por fim, que não se combate o negativo com mais negativo, mas sim, com o positivo.

Ele me questionou em relação às pessoas que ela tinha falado as poucas e boas. Eu afirmei que, se essas pessoas forem de fato amigas dela, saberiam compreender que se tratou de algo isolado, que ela está sob pressão e que apenas extravasou. Falei para ele deixá-la resolver isso com essas pessoas. Para ele não se meter nisso e apenas demonstrar que estava ao lado dela.

Pedi que, se as atitudes dele diante desta situação fossem de acordo com o que conversamos, que ele me chamasse no final da noite. Também pedi que não me chamasse, caso tivesse optado pela discórdia, até porque, foi mais de uma hora de conversa e eu não gostaria de constatar que perdi parte da manhã do meu domingo jogando palavras ao vento. Sou bem objetivo.

Ele não me ligou no final da noite. Pensei: mais uma vez, alguém não quis me ouvir. No entanto, na segunda de manhã, ele e chamou. Pediu desculpas por não ter me chamado como combinado.

Agora, vem a melhor parte: ele, após refletir, fez exatamente o que SUGERI. Disse que ela tinha chorado muito e que ficou muito tempo abraçada a ele. Falou que o abraço foi tão intenso, que ambos se emocionaram. Que uma energia incrível tomou conta do quarto e que, palavras dele, "fizeram amor como há muito tempo não faziam"; que "se beijaram como há muito tempo não se beijavam". Que não saíram do quarto por algumas horas e que a noite saíram para jantar; que tinha sido muito bom. Sequer tocaram no assunto. Falou que, na segunda-feira de manhã ela agradeceu a ele todo apoio e que ligaria para as outras pessoas para conversar e pedir desculpas, muito mais fortalecida.

O domingo deste casal tinha tudo para ser um pesadelo, talvez, deixando marcas irreversíveis, vez que determinadas palavras e atitudes machucam muito. Ele poderia ter se comportado como, talvez, a maioria dos homens se comportariam, dando vazão ao Ego, alimentando a ira. Mas, ele decidiu pelo amor. Ele decidiu certo, pois o amor é sempre o certo. No fim, ganhei dois novos amigos, muito embora não nos conheçamos pessoalmente, ainda.

Nunca optem pela discórdia nas relações. Coloquem o amor na frente. Pensem baseados no amor, na felicidade. Não permitam que Egos ou sentimentos menores desgastem suas relações. Tente compreender mais a si, para que possam compreender as outras pessoas.

Este texto é escrito por uma pessoa que "pensa com amor" agindo por e pelo amor-próprio que tem e compartilha com as pessoas. O Tantra potencializa isso nas pessoas. Quem está minimamente inserido no Tantra, vive e se move por amor e pelo amor. Não há muito o que dizer. É amor puro e simples.

Devemos evitar conflitos, porque quando entremos nessa seara com alguém, criamos conflitos internos também. Caso esteja vivendo um conflito neste exato momento, opte pelo amor, pela compreensão e pela razão.

Muitos casos podem ser resolvidos assim, simplesmente, com amor!

 

Por Marcelo (Prem Prabhu)