Quando não há receio em fazer sexo livremente, mas há receio em experimentar a massagem tântrica

 

Postado em 17 de abril de 2018

 

 

Conversando outro dia com uma amiga, mencionei o que uma paciente afirmou certa vez e que reflete muito os tabus que bloqueiam as decisões da maioria das mulheres no sentido de viver a experiência da massagem tântrica.

Depois de ouvir isso desta paciente, conversei com outras que viveram a experiência, mas que levaram bastante tempo para decidir e que, mesmo assim, no dia da primeira sessão, apresentavam muitas tensões e ansiedades, facilmente diluídas.

 



Esta paciente afirmou que não tinha o menor problema em transar com um homem que acabara de conhecer numa balada, ou seja, no mesmo dia ou noite, que isso inclusive já tinha acontecido algumas vezes, mas que "travou" na hora de decidir experimentar a massagem.

A questão da passoa travar, não diz respeito à massagem tântrica especificamente. A coisa é uma pouco mais profunda e está ligada ao nível de entrega de uma pessoa à ela mesma, quando o assunto é prazer sexual.

O sexo está banalizado, esta é a questão. Fazer sexo virou algo fácil, comum, mecânico, vulgar, sem propósito e, portanto, sem cumprir a sua função que é a elevação física, mental e espiritual de uma pessoa. Esses valores, que não são morais, muito menos religiosos, mas sim ligados à essência do ser humano, à energia sexual, estão perdido no tempo e no espaço.

Simplesmente, não há entrega, porque a decisão é tomada com a genitália e não considerando o todo (corpo, mente e alma). Uma mulher é livre para ter relações sexuais com dezenas, centenas de homens, mas digo que ela pode fazer isso sem entrega a si mesma - Aliás, ela pode fazer sexo com a mesma pessoa, por anos, sem entrega - A mulher pode sim optar por este caminho, faz parte do livre-arbítrio dela e ninguém tem nada a ver com isso. A questão é que esta escolha faz com que ela esteja renunciando ao equilíbrio da sua energia sexual. Este é o problema e já afirmei que, quando bem tratada, a energia sexual eleva. Porém, ela não é inofensiva, quando ignorada.

A massagem tântrica traz uma proposta de entrega que, definitivamente, está distante da maioria das mulheres. Não falarei que de todas, mais arrisco a dizer que mais de 70%. Isso é simples de constatar, vejamos: na massagem que eu trabalho, por exemplo, por cerca de 2h00 a 2h30, a mulher estará deitada, completamente uma, de olhos fechados, respirando, em estado meditativo, mergulhada em si, sentindo toques extremamente sutis, carinhosos e amorosos por cada milímetro do seu corpo. Ela não verá nada, apenas sentirá sua energia fluir. Inicialmente, na primeira sessão, nos primeiros minutos, ela ainda poderá criar alguma resistência ao desligamento, mas, logo se entregará às sensações da massagem. Logo, mergulhará em si e o nível de entrega será total. O seu todo (seu corpo, sua mente e sua alma) passará a ser a prioridade.

A questão é que a mulher passa a se entregar à ela mesma, ao seu âmago. É algo que não está acostumada a fazer, é novo, forte e, portanto, causa receio. Trata-se de um receio inconsciente, muitas vezes. Mas que, vem à tona quando ela começa a avaliar a possibilidade de viver a experiência da massagem.

Juntam-se ao que mencionei neste texto, os outros tabus, preconceitos e problemas das mais diversas naturezas

 

Por Prem Prabhu