Sem conselhos de prateleira, por favor

 


 

Postado em 01 de julho de 2018

 

 

Quando estamos passando por problemas, angústias, ansiedades e tristezas, as últimas coisas que desejamos ouvir são aqueles conselhos que soam como de “prateleira”: "você tem que reagir", "só você poderá mudar isso", "busque Deus", "busque uma religião", dentre outros diversos neste sentido.

A questão é que as pessoas nunca (ou quase nunca) dão esses conselhos por mal, mas sim com vontade de ajudar, com as melhores das intenções. Porém, as melhores das intenções podem não ser as melhores soluções e, muitas vezes, de fato, não são. Não entrarei no mérito de crenças e religiões, porque cada um tem a sua e acredito que são coisas que não cabem em discussões.

 



Porém não posso deixar de concordar, pelo menos em parte, com aqueles conselhos que levam até nós a mensagem de que a solução depende de nós. Penso que a forma mais correta de se levar mensagem é permitir que a pessoa enxergue que a solução depende mais dela do que ela imagina. Veja que devemos levar a mensagem e não falar isso diretamente. Levar a mensagem quer dizer estimular, para que a pessoa chegue a esta conclusão. Quando desejamos ajudar, não devemos ter pressa. Temos que estar prontos para ouvir e isso requer paciência e compreensão.

Já passei por problemas e muitos sofrimentos também. Afinal, a vida é bela, mas tem suas nuances e está bem longe de ser perfeita. Faço ideia de como as pessoas se sentem ao carregar a sensação de impotência na busca por soluções. Faço ideia de como é estar preso em sofrimentos. No entanto, fazer ideia não é o bastante, pois cada um sente de maneira diferente.

Sei muito bem que os conselhos que soam como de prateleira nos deixam irados, muitas vezes. Aí surgem dentro de nós aquelas perguntas e pensamentos, tais como: "o que ela está pensando, que sabe de tudo?" - "O que ela acha, que sou um fraco?" - "Queria ver o que ela faria no meu lugar!" - "Falar é fácil!", dente outros. Realmente é irritante, concordo plenamente. Senti está irá muitas vezes.

Seria bem melhor se as pessoas ouvissem mais quem está passando pelo problema, em vez de dar conselhos que soam como de prateleira. Ouvir nos leva a entender. Ouvir nos dá a oportunidade de proferir palavras que levem as pessoas às reflexões. Quando uma pessoa para e reflete, certamente ele encontrou algum ponto de calmaria. A calma é o melhor ponto de partida, significa que a mente está menos tensa e pesada, portanto, propícia a enxergar e encontrar soluções.

É necessário deixar a pessoa colocar para fora o que está sentindo. O momento que uma pessoa em sofrimento está colocando tudo para fora é importantíssimo, porque ela está olhando para dentro dela e, ao fazer isso, a pessoa pode sim encontrar suas próprias respostas e pode sim chegar à conclusão de que a solução depende mais dela do que ele imagina.

Não é o melhor caminho entupir as pessoas que estão vivendo um momento ruim com palavras, conselhos, críticas, contestações, ou de tentar catequizá-las. O momento é de ouvir, de estimular que elas reflitam, e não o de criar ainda mais pressões. Deixá-las falar permite que elas pensem sobre o que estão vivendo. Devemos falar para provocar reflexões. Perguntas contextualizadas com o que elas estão externando são excelentes para ajudar.

Não queira ser aquela(e) que vai salvar a pessoa. Não tenha a pretensão de querer o dom da palavra. Queira apenas ajudar com seu amor. Não é uma questão de alimentar seu ego. Lembre-se, a solução depende de cada um, mais do que imaginamos.

Por Prem Prabhu